sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Post 11 - Felicidade

Felicidade...
Por que uns, aparentemente, a merecem e outros não? Esse questionamento tão recorrente em nossas mentes é influenciado mais uma vez pelo nosso egocentrismo doentio.
Imaginar que a felicidade seja algo que se "mereça" é um grande equívoco e, como tal, causador de bons desperdícios do nosso tempo PRESENTE.
Qualquer pessoa minimamente informada sobre a evolução da vida humana em nosso planeta, percebe que a Terra pode ser tudo, menos um lugar para sermos felizes simplesmente porque "merecemos".
Ser feliz requer vontade, atitude, exercício. 

-"Serei feliz quando tiver 18 anos, quando for para faculdade, quando me casar, quando tiver meus filhos e blá blá blá...."
Incontestavelmente, essas conquistas são muito satisfatórias e nos concedem muito prazer, mas FELICIDADE é um conceito que passa ao largo desses acontecimentos tidos como felizes pela nossa superficial sociedade. 
É que, por ser habitualmente confundida com alegria, as pessoas imaginam que feliz é aquele que é bem sucedido em todas as áreas e alegre o tempo todo. Mas, como, definitivamente, isso não existe, nem no Face...rs..., temos uma legião de eternos infelizes batendo cabeças por aí.

O primeiro passo para uma pessoa começar a se sentir feliz é aceitar que:
*Felicidade não é êxtase, mas um estado de espírito.
*Não é merecimento, mas um árduo exercício diário de um olhar diferente sobre a vida.
*Não existe só nos momentos bons e alegres, mas subsiste ainda que os momentos sejam bastante difíceis.

Aprendi a me sentir feliz "diariamente", depois que li o  conceito de felicidade do filósofo Arthur Shoppenhauer.
Sim, ele é o famoso filósofo alemão "pessimista", mas genialidade não se discute, e para quem ainda não leu, fica a dica: "A ARTE DE SER FELIZ".
Neste livro, foram reunidas diversas máximas do autor sobre a felicidade, e apontados inúmeros equívocos que nos afastam do tempo presente, fazendo-nos viver na ilusão de um futuro feliz.
Ele parte do princípio de que a vida é basicamente difícil e o ser humano quando está "sem dor ou sofrimento" já deveria se considerar uma pessoa feliz e ponto final!!
O resto é o resto e chama-se alegria ou tristeza!

De cara, imputamos uma certa melancolia à essa teoria, pois os requisitos para a felicidade são estranhos - ausência de dor e sofrimento - como assim?
Mas, ela é uma teoria extremamente racional e positiva e cuja prática traz muito mais prazeres do que desprazeres.


Popularizando o antigo filósofo, me atrevo a dizer:
Enquanto humanos, seres desejosos que somos, temos um monte de sonhos para o nosso futuro. Alguns se realizarão, outros não. Não há controle sobre isso, já que o futuro de qualquer mortal é sempre incerto. Volto a lembrar desagradavelmente que TODOS IREMOS MORRER!
Desta forma, preocupar-se com o tempo passado ou com o tempo futuro é puro desperdício de energia. 
APENAS O PRESENTE PODE SER TOCADO POR NOSSAS AÇÕES. 
O TEMPO PARA PRATICAR (e não "esperar") A FELICIDADE É AGORA.  
AMANHÃ, SE ESTIVERMOS VIVOS E SAUDÁVEIS, AGIREMOS DA MESMA FORMA, E ASSIM POR DIANTE.
UM DIA DE CADA VEZ...
SÓ ESTAREMOS REALMENTE INFELIZES SE E QUANDO SENTIRMOS DOR OU SOFRIMENTO, JÁ QUE DESTES, NESTA VIDA, INFELIZMENTE, TAMBÉM NINGUÉM ESCAPA.

No próximo post continuarei neste tema..
Aprendi a usá-lo quando estava doente e, embora "curada", debatê-lo só reforça o "meu" exercício diário...
:) 

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Post 10 - Nossos filhos são filhos da vida

Continuando em um tema referente também a maternidade, a pergunta que faço é:
- Seu filho é a sua razão de viver?
Se você responder que sim, dando à essa frase a conotação de amor imenso, ótimo!
Se você responder que sim, interpretando literalmente o seu significado, é um forte sinal de que anda precisando de terapia.
Filhos pequenos são a razão da nossa vida, no sentido de que além de descobrirmos um amor profundo antes desconhecido, eles nos exigem dedicação integral. Mesmo quando estamos trabalhando, estamos ligadas em tudo que acontece em casa, na escola e etc...Mil neurônios incessantemente ativados e conectados aos filhos.
 
Somos verdadeiras "loucas" em seus primeiros anos de vida e, como dizia minha antiga terapeuta, a loucura da mãe nessa fase é mais que necessária, pois estamos responsáveis não só pela educação, mas também pela sobrevivência dos pequenos.
Loucas por querermos vê-los bem alimentados, bem cuidados, seguros, com os remédios em dia, progredindo no aprendizado, e tudo isso conciliado à nossa agora restritíssima vida individual.
Mas, os filhos crescem e a sensatez indica que é chegada a hora da loucura acabar!!
Aquela criança, antes tão submissa aos desejos maternos e paternos, começará a manifestar idéias próprias, personalidade própria e escolhas próprias. Por vezes, até naturalmente, seguirá os exemplos dos pais. Coincidência, afinidade, sei lá.
Mas, pela peculiar natureza contestadora do ser humano e pela necessidade de se desvincularem das figuras paternas para se lançarem ao mundo, o que mais vemos são os filhos escolherem caminhos bem distintos dos pais.
Verdadeiros subversivos!!Que ódio que dá!!!! hahahaha
Agora pensem comigo..
Se seus filhos  foram e são a sua razão de viver e você anulou tudo o que havia de individual na sua vida em prol deles, como você se sentirá lá na frente, quando as escolhas deles não lhe agradarem em nada? Péssima! É a única resposta cabível, infelizmente!
 
Ao perceber que seu filho não era uma marionete obediente ao seu movimentar de dedos, e que, ao contrário, se tornou gente e gente DIFERENTE, você sentirá um profundo vazio e uma sensação de missão malsucedida. E aí, tome-lhe chicotadas de autocomiseração, pois, afinal, o resultado ao seu enorme e generoso empenho não foi nem de longe aquele que você QUERIA.
Geralmente, ao encarar essa dura realidade, a mãe indignada se utiliza  de artifícios vis como a chantagem emocional e a vitimização, fazendo de seus filhos um depósito de suas frustrações. Chegam até a adoecer, para a culpa ficar maior sobre os ombros deles, cobrando-lhes indiretamente uma recompensa pelo seu sacrifício.
Mas, ao caminhar por esta estrada egoísta e sombria, a mãe equivocada deixa de considerar que, antes de serem seus filhos, são seres humanos independentes. Almas autônomas que trilharão caminhos próprios. Não que eles não precisem mais de nós. Precisam! Mas, o nosso lugar deve ser distante e, acima de tudo firme, para que quando o filho quiser, possa voltar e renovar suas forças em seu porto seguro.

Khalil Gibran, filósofo libanês já dizia:
Nossos filhos nascem através de nós, mas não nos pertencem.
São filhos da vida.
São flechas lançadas na incerteza do futuro.
Futuro do qual os pais não fazem parte.
Nós somos apenas os arcos que os sustentam e os lançam, e que de longe, observam os seus voos.

Pensar qualquer coisa diferente disso é a receita certa para decepções.
Pais e filhos perderão tempo demais com discussões e entraves que não darão em nada, e perderão principalmente a oportunidade de viverem felizes e de aprenderem ambos com as diferenças.
E, se a morte inesperada de qualquer um acontecer durante essa difícil convivência,  não haverá mais tempo para reconciliação.
E, infelizmente, a angústia, que antes podia ter sido dissipada pela humildade e generosidade de ambos em reconhecerem a independência de um e do outro, se tornará crônica, insolúvel e destrutiva.
:)