domingo, 10 de maio de 2015

Mãe: Missão e amor

Esse dia das mães, para mim, foi diferentemente especial! 

Não tive meu filho mais velho por perto, mas senti-me imensamente realizada e plena com a prazerosa sensação de dever cumprido! 

Confesso que desde que adoeci em 2004 e que ele tinha só 12 anos sempre me angustiei ao pensar se teria tempo para vê-lo "homem". Deus me permitiu prosseguir, ele se tornou adulto e muitas reflexões surgiram nessa caminhada.

Quando eu tinha 16 anos e minha mãe morreu, me senti desesperada, injustiçada e indignada por minha mãe partir tão cedo, sem "acabar de me criar". 
Mas, o tempo, "o senhor de todos os remédios", me mostrou o quanto eu era equivocada.

16 anos são, de fato, muito pouco tempo para desfrutarmos da companhia daquela que mais amamos na vida. MÃE deveria ser eterna.
Mas, percebi ao longo dos meus desafios na fase adulta, que 16 anos foram suficientes para que ELA, a rainha do lar, incutisse em meu caráter o que realmente era importante na vida. Ética, esforço pessoal, amor familiar, retidão e perseverança foram algumas das qualidades que ela me ensinou em tão pouco tempo de convivência e que foram determinantes em várias boas escolhas que fiz. 

Quando me tornei mãe, há 23 anos atrás, comecei a me questionar até quando deveria ir a missão de uma mãe? 
Confrontava o fato da minha ter partido tão cedo com aquelas mães que chegavam aos 80 anos de idade e ainda se diziam sobrecarregadas pelos problemas dos filhos.
Será que a minha missão de mãe só terminaria quando eu morresse?
Será que aquele amor incondicional e inominável que a maternidade me fez sentir, imporia também esse sacrifício hercúleo de vincular minha existência presente e futura às demandas eternas dos filhos?
Há mães que acham isso. E, pior, há aquelas que acham e aplicam esse modelo de maternidade, pois se assim não agirem, é como se "não amassem seus filhos".
Mas, eu nunca engoli esse padrão e lutei, e luto bravamente ainda contra esse impulso doentio da "mãe eternamente necessária". 
Para mim, a missão de criar um ser humano autônomo e independente é totalmente distinta da dádiva de amar um filho. 
O amor é infinito, mas a criação e a interferência  em suas vidas não devem ser.

Depois de uma certa idade, seus assuntos pessoais não devem mais nos interessar. Apenas devemos estar ALI, a postos, para que, quando e se desejarem, trocarmos idéias e experiências e até prestarmos algum socorro. Nada mais além disso. 

Nem o maior amor do mundo nos permitirá viver por eles. 
Acertarão e errarão... 
E, ao final, colherão os frutos bons e ruins de suas escolhas. 
O que tinha para ser ensinado, já foi. Se não foi, paciência.

Para que os filhos se tornem adultos, basta que haja dedicação e boa orientação naqueles que são os anos mais valiosos de suas vidas , mas, uma vez adultos, temos que suprimir nosso egoísmo e não só deixá-los, como motivá-los a seguir em frente. 

Temos que saber "morrer" como mãe educadora, e , ao mesmo tempo, permanecer viva como mãe amiga

Obrigada mãe por seu amor...
Obrigada Deus pelo tempo concedido.
Obrigada Lucas, por me proporcionar essa satisfação e vitória!
E, vamos em frente Caio, porque nossa estrada é longa!! 
Amo vocês!



quinta-feira, 26 de março de 2015

DEPRESSÃO

Conheci um proctologista que fazia uma lúcida conclusão sobre o tema hemorróidas....
Sim, o tema é depressão, mas quero falar de um proctologista mesmo e vocês irão entender o porquê...rs
O primeiro motivo porque   estabeleço esse paralelo é a minha natureza debochada. Tratar assuntos sérios com ironia com certeza os torna infinitamente mais leves. O segundo motivo é que ambas as doenças são extremamente comuns, mas igualmente desconfortáveis para que as pessoas tenham coragem de assumi-las...rs..
 
Bom, vamos lá...
Esse médico dividia seus pacientes em três grupos: os que tiveram, os que tem e os que terão hemorróidas. Talvez pela posição ereta que o homem evoluído adotou, sei lá. Mas, fato é que eu ainda adicionaria um quarto grupo a esse trio: os que tem, mas ignoram e não admitem nem pra si nem pra ninguém..Quem gosta de assumir que leva um pequenina couve flor em seu corpinho? hahahaha...não resisti a piadinha...
 
Considerando esse ponto de vista, dirigindo pelas ruas da vida, solitária e pensativa, de repente me veio a associação desse grupo de enfermos retais aos deprimidos.
Gosto muito de refletir enquanto dirijo. Minha mente voa longe e as associações mais bizarras acontecem. Não é raro me verem rindo sozinha no carro. Foi quando pensei sobre a depressão e um link mental me conduziu à classificação do citado proctologista.
 
Vejam se eu tenho razão....
Os deprimidos também podem ser divididos nestes mesmos quatro grupos que citei acima: os que tiveram, os que tem, os que terão e os que se negam aceitar que tem.
E por que ela atinge a todos? Será mesmo a depressão um mal do século?
Ou será ela uma "doença" muito mais antiga e, ao invés de "doença", deveria ser classificada como uma condição inerente ao ser humano?
Fico com a segunda opção! A depressão tem um caráter obrigatório na nossa vida. Não há como passar pela existência sem senti-la. Podemos, como já disse, ignorá-la, mas deixar de sentir, jamais.....
 
Eu estou no grupo dos que tiveram e, por isso me sinto apta para analisar um pouco desse momento.
Posso afirmar com segurança que enquanto fiz parte daquele grupo que "ignorava a depressão", bloqueando os meus sentimentos, por não admitir tal "fraqueza ou fracasso", eu era uma pessoa extremamente instável. Picos de alegria revezavam com momentos profundos de tristeza.
E quem era a Dani, eu me perguntava...Uma mulher bipolar??rs...
 
Consegui fingir indiferença aos sintomas por muitos anos, deslocando meus sentimentos angustiantes para projetos e realizações externas. Assim, a gente casa, arruma emprego, tem filhos, constrói casas, separa, vive paixões, viaja, mas, ao fim de tudo, fica aquela coisa desagradável pulsando dentro do nosso íntimo para a qual não encontramos explicação. E mais projetos idealizamos, afinal, a sociedade nos ensina que quem tem uma vida minimamente realizada externamente, não tem direito a se deprimir. Deprimir é considerado sinal de fraqueza ou de falta de agradecimento a vida por tudo de bom que ela já lhe deu.
"O que lhe falta para sentir-se feliz, meu rapaz? Sua vida é perfeita!"
 
Já para quem tem uma vida sofrida, a depressão é mais aceita, mas isso não significa que seja enxergada como deveria ser -  a protagonista da cena. A pessoa tem tantas necessidades que não faltam justificativas para a sua sensação de tristeza... Saúde, amores, dinheiro, falta de filhos, etc....E nestes itens são despejadas todas as sensações de angústia. São necessidades tão imediatas que nem sobra tempo para olhar para dentro de si, não é mesmo?
 
Mas, voltando à minha experiência, pois só dela posso falar com exatidão, eu bloqueei a depressão enquanto pude, mas em torno dos meus 34 anos, ela venceu a batalha e me jogou no mais profundo mergulho dentro de mim mesma.
Mas, curiosamente, aquela que antes eu via como uma situação de fracasso, se mostrou como um momento de reconstrução interior não só necessário como imperioso e, ao final, extremamente gratificante.
A depressão não é um fim em si mesmo, mas um MEIO para que possamos reconstruir nossos caminhos!
 
E é dessa característica positiva da depressão que falarei no próximo post. De como podemos transformar essa adversária maléfica num cordeirinho, e transformar a nossa sensação de fracasso na escolha positiva de um novo rumo para a nossa vida...:)
 
 
 

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Post 11 - Felicidade

Felicidade...
Por que uns, aparentemente, a merecem e outros não? Esse questionamento tão recorrente em nossas mentes é influenciado mais uma vez pelo nosso egocentrismo doentio.
Imaginar que a felicidade seja algo que se "mereça" é um grande equívoco e, como tal, causador de bons desperdícios do nosso tempo PRESENTE.
Qualquer pessoa minimamente informada sobre a evolução da vida humana em nosso planeta, percebe que a Terra pode ser tudo, menos um lugar para sermos felizes simplesmente porque "merecemos".
Ser feliz requer vontade, atitude, exercício. 

-"Serei feliz quando tiver 18 anos, quando for para faculdade, quando me casar, quando tiver meus filhos e blá blá blá...."
Incontestavelmente, essas conquistas são muito satisfatórias e nos concedem muito prazer, mas FELICIDADE é um conceito que passa ao largo desses acontecimentos tidos como felizes pela nossa superficial sociedade. 
É que, por ser habitualmente confundida com alegria, as pessoas imaginam que feliz é aquele que é bem sucedido em todas as áreas e alegre o tempo todo. Mas, como, definitivamente, isso não existe, nem no Face...rs..., temos uma legião de eternos infelizes batendo cabeças por aí.

O primeiro passo para uma pessoa começar a se sentir feliz é aceitar que:
*Felicidade não é êxtase, mas um estado de espírito.
*Não é merecimento, mas um árduo exercício diário de um olhar diferente sobre a vida.
*Não existe só nos momentos bons e alegres, mas subsiste ainda que os momentos sejam bastante difíceis.

Aprendi a me sentir feliz "diariamente", depois que li o  conceito de felicidade do filósofo Arthur Shoppenhauer.
Sim, ele é o famoso filósofo alemão "pessimista", mas genialidade não se discute, e para quem ainda não leu, fica a dica: "A ARTE DE SER FELIZ".
Neste livro, foram reunidas diversas máximas do autor sobre a felicidade, e apontados inúmeros equívocos que nos afastam do tempo presente, fazendo-nos viver na ilusão de um futuro feliz.
Ele parte do princípio de que a vida é basicamente difícil e o ser humano quando está "sem dor ou sofrimento" já deveria se considerar uma pessoa feliz e ponto final!!
O resto é o resto e chama-se alegria ou tristeza!

De cara, imputamos uma certa melancolia à essa teoria, pois os requisitos para a felicidade são estranhos - ausência de dor e sofrimento - como assim?
Mas, ela é uma teoria extremamente racional e positiva e cuja prática traz muito mais prazeres do que desprazeres.


Popularizando o antigo filósofo, me atrevo a dizer:
Enquanto humanos, seres desejosos que somos, temos um monte de sonhos para o nosso futuro. Alguns se realizarão, outros não. Não há controle sobre isso, já que o futuro de qualquer mortal é sempre incerto. Volto a lembrar desagradavelmente que TODOS IREMOS MORRER!
Desta forma, preocupar-se com o tempo passado ou com o tempo futuro é puro desperdício de energia. 
APENAS O PRESENTE PODE SER TOCADO POR NOSSAS AÇÕES. 
O TEMPO PARA PRATICAR (e não "esperar") A FELICIDADE É AGORA.  
AMANHÃ, SE ESTIVERMOS VIVOS E SAUDÁVEIS, AGIREMOS DA MESMA FORMA, E ASSIM POR DIANTE.
UM DIA DE CADA VEZ...
SÓ ESTAREMOS REALMENTE INFELIZES SE E QUANDO SENTIRMOS DOR OU SOFRIMENTO, JÁ QUE DESTES, NESTA VIDA, INFELIZMENTE, TAMBÉM NINGUÉM ESCAPA.

No próximo post continuarei neste tema..
Aprendi a usá-lo quando estava doente e, embora "curada", debatê-lo só reforça o "meu" exercício diário...
:) 

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Post 10 - Nossos filhos são filhos da vida

Continuando em um tema referente também a maternidade, a pergunta que faço é:
- Seu filho é a sua razão de viver?
Se você responder que sim, dando à essa frase a conotação de amor imenso, ótimo!
Se você responder que sim, interpretando literalmente o seu significado, é um forte sinal de que anda precisando de terapia.
Filhos pequenos são a razão da nossa vida, no sentido de que além de descobrirmos um amor profundo antes desconhecido, eles nos exigem dedicação integral. Mesmo quando estamos trabalhando, estamos ligadas em tudo que acontece em casa, na escola e etc...Mil neurônios incessantemente ativados e conectados aos filhos.
 
Somos verdadeiras "loucas" em seus primeiros anos de vida e, como dizia minha antiga terapeuta, a loucura da mãe nessa fase é mais que necessária, pois estamos responsáveis não só pela educação, mas também pela sobrevivência dos pequenos.
Loucas por querermos vê-los bem alimentados, bem cuidados, seguros, com os remédios em dia, progredindo no aprendizado, e tudo isso conciliado à nossa agora restritíssima vida individual.
Mas, os filhos crescem e a sensatez indica que é chegada a hora da loucura acabar!!
Aquela criança, antes tão submissa aos desejos maternos e paternos, começará a manifestar idéias próprias, personalidade própria e escolhas próprias. Por vezes, até naturalmente, seguirá os exemplos dos pais. Coincidência, afinidade, sei lá.
Mas, pela peculiar natureza contestadora do ser humano e pela necessidade de se desvincularem das figuras paternas para se lançarem ao mundo, o que mais vemos são os filhos escolherem caminhos bem distintos dos pais.
Verdadeiros subversivos!!Que ódio que dá!!!! hahahaha
Agora pensem comigo..
Se seus filhos  foram e são a sua razão de viver e você anulou tudo o que havia de individual na sua vida em prol deles, como você se sentirá lá na frente, quando as escolhas deles não lhe agradarem em nada? Péssima! É a única resposta cabível, infelizmente!
 
Ao perceber que seu filho não era uma marionete obediente ao seu movimentar de dedos, e que, ao contrário, se tornou gente e gente DIFERENTE, você sentirá um profundo vazio e uma sensação de missão malsucedida. E aí, tome-lhe chicotadas de autocomiseração, pois, afinal, o resultado ao seu enorme e generoso empenho não foi nem de longe aquele que você QUERIA.
Geralmente, ao encarar essa dura realidade, a mãe indignada se utiliza  de artifícios vis como a chantagem emocional e a vitimização, fazendo de seus filhos um depósito de suas frustrações. Chegam até a adoecer, para a culpa ficar maior sobre os ombros deles, cobrando-lhes indiretamente uma recompensa pelo seu sacrifício.
Mas, ao caminhar por esta estrada egoísta e sombria, a mãe equivocada deixa de considerar que, antes de serem seus filhos, são seres humanos independentes. Almas autônomas que trilharão caminhos próprios. Não que eles não precisem mais de nós. Precisam! Mas, o nosso lugar deve ser distante e, acima de tudo firme, para que quando o filho quiser, possa voltar e renovar suas forças em seu porto seguro.

Khalil Gibran, filósofo libanês já dizia:
Nossos filhos nascem através de nós, mas não nos pertencem.
São filhos da vida.
São flechas lançadas na incerteza do futuro.
Futuro do qual os pais não fazem parte.
Nós somos apenas os arcos que os sustentam e os lançam, e que de longe, observam os seus voos.

Pensar qualquer coisa diferente disso é a receita certa para decepções.
Pais e filhos perderão tempo demais com discussões e entraves que não darão em nada, e perderão principalmente a oportunidade de viverem felizes e de aprenderem ambos com as diferenças.
E, se a morte inesperada de qualquer um acontecer durante essa difícil convivência,  não haverá mais tempo para reconciliação.
E, infelizmente, a angústia, que antes podia ter sido dissipada pela humildade e generosidade de ambos em reconhecerem a independência de um e do outro, se tornará crônica, insolúvel e destrutiva.
:)

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Post 9 - Mãe: Amor Incondicional?


Além do egocentrismo doentio que mencionei no post 7, acredito no real poder destrutivo de alguns conceitos que foram instituídos sabe-se lá por quem e por quê. Fato é que sobreviveram a todas as épocas desde o início dos tempos, e crer neles sem questioná-los produz uma legião de angustiados.
Crescemos ouvindo tais conceitos como um mantra e, assim, vamos formando, ou melhor dizendo, FORMATANDO nossas opiniões. 
E, como, na maioria das vezes, a vida real não se encaixa nestes conceitos genéricos que foram estabelecidos como "regras" ou "normais", começamos a sentir aquela sensação desconfortável de inadequação. Concluímos equivocadamente que o erro só pode estar em nös. Resultado? Angústia!
O primeiro destes equívocos, que julgo o mais importante, é o conceito de que as mães amam incondicionalmente seus filhos....SEMPRE.
A mulher, ao se tornar mãe, é elevada quase à imagem de Nossa Senhora.
Criou-se um estereótipo de que a mulher-mãe tudo perdoa, tudo acolhe, tudo sabe, tudo orienta e nada espera em troca, pois seus filhos são a sua vida! Isso é estimulado em casa, na escola, na religião,  nas mídias.  Sempre aquelas fotos com mães de rostos angelicais e amorosos. 
Realmente amamos nossos filhos imensamente,  mas atribuir a esse sentimento a qualidade de "incondicional" , sinceramente, eu acho  muito exagerado e nocivo.
Então, nós crescemos acreditando nesse conceito, sö que em paralelo vamos percebendo a distorção entre a teoria e a prática já na nossa casa. Converse com alguns filhos e vejam se algum deles relata que a mãe é a cópia fiel de Maria, mãe de Jesus? Nunca! Nossa mãe é de carne e osso, qualidades e defeitos.
A mãe verdadeira e real foge muito à imagem da Santa.

A "crazy mom"  nos repreende, se desequilibra dia sim, outro também...rs,  dá bom dia jä reclamando do cansaço que a maternidade traz, pois dela exige habilidades multitarefas, e cobra diariamente dos filhos inúmeras recompensas pelo sacrifício empenhado. Quer bom comportamento, bom rendimento escolar, afeto, submissão, bom isso, bom aquilo. 

Daí surge o espanto: - "Aonde está aquela mãe descrita em livros, poemas e textos religiosos? Por que a minha mãe é tão diferente? Que azar o meu, logo a minha mãe não nasceu para ser mãe, pois de amor incondicional essa mulher não tem nada. Ao contrario, o que ela conhece bem são condições, condições e condições para isso, para aquilo. Me dei mal." (Essa combinação então do conceito equivocado da maternidade com o nosso  egocentrismo doentio de que só nós sofremos só pode, como se diz,  "dar ruim"..rs).

É chegada então, a temporada dos conflitos entre mães e filhos, e que geralmente se iniciam na adolescência.
Eu costumo brincar que eles(os filhos) entram, certo dia, no banheiro para tomar banho e saem transfigurados...rs...São novas pessoas!

Além deles constatarem que suas mães fogem completamente àquele conceito da mãe ideal, descobrem que ela também não detém a sabedoria  absoluta para responder a todas as suas dúvidas. Assim, concluem que a mãe, além de "amar da forma errada", é  burra e despreparada. Não sabe nada de nada!
Ahhhh... Pára tudo que eu quero descer!
Mãe não é isso!!! Não foi isso que aprendi!! 

Aquela mulher que deveria "tudo saber", vai sendo desmascarada dia após dia sem piedade, pois muitas das  questões trazidas por seus filhos, permanecerão sem respostas ou com respostas pré-concebidas e ultrapassadas. Começa o jogo da queda de braço onde cada um quer impor a sua visão da vida. E, honestamente, os dois lados saem prejudicados, pois essa  despersonificação da "mãe ideal" não atinge sö o filho. Ela chega forte também para causar angústias na própria mãe, que se vê desnudada diante do filho. Ela fica em xeque, sem saber o que fazer. 

*Que mãe não se enche de culpa por não conseguir ser aquela mãe quase santa, um polvo perfeito que de tudo dä conta, que ama incondicionalmente e só tem olhos para seus filhos?
*Que mãe não fica desesperada quando as dúvidas de seus filhos colidem exatamente com aqueles seus fantasminhas de infância que ela tão cuidadosamente empurrou para debaixo do tapete para nunca mais ter que pensar neles?
*Que mãe não acha que está sempre em falta com algo ou se sente um traste por simplesmente pensar em si de vez em quando? Por desejar novos amores, novas aventuras, desfrutar mais do marido, da sua liberdade, realização profissional e até um pouco da simples solidão?

Ficamos um lixinho emocional quando nos priorizamos, pois, afinal, mãe que é mãe mesmooo, segundo os "padrões internacionais", vive para seus filhos, morre para a vida e morre feliz, feliz!
Ahhhh não dá.. Podem até achar que estou sendo ácida, mas não consigo engolir essa maldade em forma de conceito santificado de mãe. Isso é de pirar qualquer mulher e qualquer filho.

Mas, como pra tudo há soluções, eu penso que haja algumas para amenizar essa relação mãe e filho.
*Que tal se, ao invés de criarmos nossos filhos nessa atmosfera fantasiosa de que somos perfeitas e santas, devêssemos  fazer exatamente o contrário, mostrando aos nossos filhos que  eles são e sempre serão a nossa prioridade, mas nunca o nosso único projeto nessa vida? E que uma coisa não exclui a outra, em absoluto.
*Que tal, se, desde cedo, nos desnudarmos "naturalmente" para nossos filhos, enfatizando que, apesar de mães, somos humanas, falíveis e cheias de dúvidas. Pra que esperar o desnudamento compulsório?
*Que tal  explicarmos , humildemente, que estamos AQUI apenas há "mais tempo" do que eles, o que nos confere alguma experiência sobre muitas coisas, mas  não nos concede uma sabedoria infinita.

Reconhecermos que nada sabemos, no melhor estilo socrático - "Só sei que nada sei", e,  junto aos filhos, aprimorarmos nossos conceitos. Não seria esse o objetivo da vida? Evoluirmos e melhorarmos nossas essências?

Assim, em parceria, como duas almas interligadas, mas INDEPENDENTES, que buscam um melhor entendimento da existência humana, poderíamos sepultar de vez este conceito cruel da MÃE IDEAL, e concluirmos que ela não existe. 
Nunca existiu além da teoria!
Aceitaríamos em definitivo que A MÃE REAL é apenas UMA MÃE POSSÍVEL!
Que dá o que tem pra dar. E deixa de dar aquilo que também nunca recebeu.
A mãe que ama e sempre amará seus filhos, mas dentro dos seus limites humanos e de sua sanidade psíquica.
:)














quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Post 8 - Robin e Eduardo

Meu post esta semana seria sobre outro tema, mas as mortes do ator  Robin Willians e do presidenciável Eduardo Campos atropelaram meu cronograma.
Não porque eram figuras públicas e importantes, mas porque suas mortes corroboram as conclusões a que cheguei ao longo da vida, e me estimulam cada vez mais a exercitar um estilo de vida onde a morte não seja uma surpresa imprevisível, mas um acontecimento natural e que deve ser considerado todos os dias quando acordamos. Proposta do meu blog, aliás.
Agora chovem os comentários do tipo "morreu prematuramente", "tinha um futuro promissor", "nossa vida não vale nada", entre tantos outros igualmente equivocados.
As mídias internacionais e nacionais estimulam esse sentimento de espanto e essa visão deturpada de ambas as mortes. Enchem os noticiários de momentos e depoimentos emotivos. Enaltecem os mortos elevando-os à condição de quase heróis e exploram a dor das famílias, incentivando o público a reagir a um acontecimento natural como sendo uma grande tragédia.
Mas, raciocinemos... Tragédia, por assim dizer, é o genocídio de crianças na Palestina. Mísseis não voam sozinhos, não é mesmo?
Essas mortes do ator e do político, suicídio ou não, foram naturais. Não há nada do que se lamentar.
Um decidiu que era a hora de partir e tirou a própria vida.
O outro, por um acidente, foi levado.
Mas, ninguém agiu para que estes eventos acontecessem.
Não há vítimas trágicas nessas histórias.
 
O único ponto que de fato me comove é quando penso nos familiares, em especial, os filhos,  que agora terão que seguir em frente apesar de toda dor e da falta de entendimento.
 
Quanto aos que faleceram, classifico o ator como um vitorioso. Alguém que se suicida aos 63 anos demonstra que já vinha lutando contra a dor da existência há muito tempo, quem sabe desde jovem. Não à toa tinha um histórico de dependência ao álcool e à cocaína. Esses atos não surgem da noite para o dia.
Se ele conseguiu driblar esse desejo até aquela idade e ainda conseguiu ser internacionalmente reconhecido e respeitado por suas interpretações, só nos resta concluir que aguentou  o quanto pode.
E mais.... Que, na hora em que decidiu aplacar de vez o  seu sofrimento crônico, nenhum fator externo foi determinante para impedi-lo.
Sucesso, dinheiro, prestígio, família e filhos não foram capazes de dissuadi-lo da decisão de tirar sua própria vida,  porque o seu maior inimigo estava em seu íntimo, e não há e nem nunca haverá qualquer êxito externo que se sobreponha à nossa paz interior.
 
Quanto ao político, o fato de "ter dado uma entrevista ontem", "ter feito 49 anos no dia dos pais", "ser um cara bem sucedido" e com uma família aparentemente harmônica, tradicional e numerosa não impediu que a morte ceifasse a sua vida, exatamente PORQUE ELA É DEMOCRÁTICA.
As pessoas se chocam porque querem.
Preferem essa reação padrão a raciocinar e concluir que qualquer um que esteja vivo, morrerá!!
Ricos, pobres, famosos, desconhecidos, políticos, cidadãos comuns. Não importa. Tem morte pra todo mundo!
 
E, enquanto retornam ao Pai, nós continuaremos aqui em nossa incerta caminhada, com a lição de que ser feliz não deve ser uma opção, mas sim uma obrigação, POIS A NOSSA HORA TAMBÉM CHEGARÁ!
:)
 
 


segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Post 7 - Egocentrismo e morte

Olá,
Egocentrismo é uma doença, mas em primeiro lugar, devemos separar o joio do trigo.
Há pessoas cujas conversas versam basicamente sobre si.
São egocêntricas? Claro.
Mas, numa visão mais abrangente e profunda, o egocentrismo doentio vai muito além desse comportamento social chatinho.
A criança, por exemplo, é bastante egocêntrica e assim deve ser, pois se sentindo o centro das atenções e dos afetos familiares é que ela vai se fortalecendo e aprimorando suas aptidões.
Esse egocentrismo infantil não só é normal como é necessário para o seu fortalecimento psíquico.
Entretanto, com o passar dos anos, aquela criança vai deixando de ser o foco familiar, se tornando mais um membro apenas,  recebendo reprimendas educativas, experimentando o mundo real. Tudo isto se mostra bem diferente daquele seu mundo infantil protegido, amado, elogioso e cheio de fantasias.
É chegada então a hora de promover o gradual  desapego do egocentrismo infantil em direção à consciência da realidade adulta.
E por que é tão difícil?
Freud dizia que "somos filhos das crianças que fomos", e talvez por isso,  nós insistamos tanto em conservar aquele egocentrismo de infância. É muito bom ser amado, mimado, atendido e viver de fantasias. Todo mundo gosta, todo mundo quer. Para sempre, se possível.
O único "porém" é que esse apego, ao invés de nos proporcionar aquela sensação gostosa da infância,  nos causará sucessivas frustrações; qualquer adulto sabe que os resultados de nossas ações e projetos nem sempre são aqueles antes idealizados  e  MUITO MENOS AQUELES  QUE  ACHÁVAMOS SER MERECEDORES, por "pensarmos ser seres especiais".
O egocentrismo nos faz crer que somos especiais, únicos e merecedores só de coisas boas. Não digerimos bem quando a vida nos traz obstáculos. Nos sentimos traídos e infelizes! E reclamamos dia após dia dos problemas que , de fato, não são nada além do que deveriam ser: problemas inerentes à vida humana.
Se está vivo, os terá!
Quem diante de um problema já não esbravejou a frase "Por que eu" ou "Eu não mereço isso" ou "Aonde foi que eu errei" e tantas outras do tipo?
Somos tão egocêntricos que reclamamos, por exemplo, de uma chuvarada no dia  X em que combinamos um programa, aniversário ou casamento, como se o Universo tivesse que se dobrar aos nossos desejos e obrigatoriamente ser um dia ensolarado e iluminado.
Conseguem perceber que por mais que o exemplo dado acima tenha sido bobinho,  esse raciocínio  equivocado em larga escala só nos leva a frustrações e desgostos que poderiam ser evitados?
Vamos por hipóteses.
Eu vejo a vida da seguinte forma: Os equívocos e o egocentrismo afetam todas as áreas de nossas vidas.
De início, vou analisar o impacto de um diagnóstico de um câncer ou de outra doença qualquer igualmente temida como ele.
Todas as pacientes com quem já tive contato, inclusive eu, caíram na armadilha do POR QUE EU ou O QUE FIZ DE ERRADO?
Para estas perguntas, há várias  respostas populares que eu honestamente desprezo integralmente ou relativizo muito hoje em dia.
Há quem diga que a vida ou Deus ou sei lá o que(cada um tem o seu credo) nos dá esse sofrimento para podermos crescer espiritualmente, mostrando o quanto somos "guerreiros" diante da adversidade. Discordo, discordo, discordo!
Ao invés de me enxergar como guerreira, o que só reforçaria a minha condição de especial e superior, quando adoeci, eu me conscientizei foi do contrário.
De como eu era uma pessoa pra lá de "comunzinha" que tinha tido bons e maus momentos, que estava viva e podia morrer, sem que houvesse qualquer explicação, aviso prévio ou mensagem subliminar nisso. Fazia parte da minha condição humana. Cada um tem sua hora, não adianta espernear!
E pior do que temermos deixar as pessoas que amamos, fiquei muito contrariada pela sensação de impotência, de falta de controle, da constatação de resultados tão diferentes do que eu tinha planejado para minha vida. Puro egocentrismo.
Decidi que não ia "lutar" por coisa alguma.
Eu apenas segui, esperando o que ia acontecer lá na frente, como espero até hoje.
Convenci-me da minha condição de espectadora da vida.
Aliás, esse conceito de vitória ou derrota num período de doença é um complicador a mais na vida do doente.
Mais ou menos assim... "Deus me escolheu para lutar essa batalha porque realmente eu sou especial. Todos verão como tenho fé,  e se eu sobreviver é porque ele reconheceu e me concedeu essa benção. Serei uma vitoriosa".
Aham....
Mas, então... E se eu morrer, qual terá sido a mensagem de Deus? A de que eu fui uma perdedora? A de que eu não era uma pessoa de fé?
Ops, isso não faz o menor sentido.
Melhor tirar Deus disso, pelo menos por essa ótica de merecimento e de fé que só serve pra quem sobrevive.
Se ter fé significa crer na vida eterna, morrer e voltar ao Pai é apenas um dos desfechos prováveis. 
Quando se está doente, só há estas duas saídas: sobreviver ou morrer. Mas não é um jogo.
Sem essa de ganhar ou perder a batalha para o inimigo câncer. É muita poesia "demais" para um fato tão natural que é a morte e olhar por este conceito só traz  mais angústia.
Adoecemos porque somos humanos com prazo de validade e,
PONTO FINAL.
O desfecho? Vai saber...Mas, enquanto ele não vem, que tal vivermos a vida da forma mais feliz possível?
Nossos projetos são válidos, mas não temos controle de nada.
Apenas a vida que segue... e a gente faz o possível para  aceita-la e segui-la na paz...
:)

terça-feira, 15 de julho de 2014

Post 6 - Politica no blog nem pensar, mas hoje tem...Ahhh tem....

Oie....
Na onda do ocorrido em meu face hoje, quando postei divulgando meu blog e fui surpreendida por severas criticas a outro assunto completamente distinto ( tô até agora tentando entender a motivação da moça...rs), gostaria de pontuar que embora eu "esteja uma ativista politica virtual" nos ultimos tempos, o que me move na vida está longe de ser a esperança em dias melhores.
Infelizmente a essência do ser humano jamais permitirá que vivamos num mundo justo, igualitário e fraterno.

Por isso mesmo que surgiu a proposta do blog. 
Debater conceitos e tentar trazer paz e felicidade à mim e às pessoas individualmente , apesar desse coletivo deprimente que nos choca e entristece dia a dia.
Penso que essa seja a grande sabedoria da vida. Refletir, questionar e tentar de alguma maneira se destacar de forma positiva da massa humana robotizada, equivocada e perniciosa.

No facebook não crio idéias e nem situações.  Sou apenas uma atravessadora de fatos.  
Me valendo da novidade das redes sociais que nos permitiram ter acesso a fatos antes tão bem camuflados pela grande imprensa, eu vou postando aquilo que acho útil,  principalmente quando me vejo diante de violações de nossos direitos e garantias.
Não sou ingênua a ponto de achar que a politica um dia será limpa e decente. Nunca serão!!! Rs...(aff...frase de policia...)
E, honestamente, estou me lixando...rs

Que eles continuem no seu medíocre jogo de poder. 
Ja deixei claro no ultimo post que isso não me seduz, e tampouco creio que seja a garantia de uma vida e morte melhores para quem faz parte dessa bandalha.
Mas, cada um com seu cada um.. O livre arbítrio tä aí pra isso, uai...

Só me recuso a me calar diante das sucessivas violações ao Estado Democrático de Direito. 
Não vou me silenciar diante da iminente supressão dos meus direitos de pensar, de me manifestar, de ir e vir, de discordar.
Não gosto do Direito na prática,  nunca gostei, mas gosto de justiça, e ainda que não a consigamos, é nosso dever incomodar, incomodar e incomodar, para diminuirmos a zona de conforto dos opressores.
Querem bandalha, vão ter, mas vão ter que suar um pouco a camiseta...rs

Ser omisso ao que está acontecendo implica em ser alheio ao sofrimento do outro. Criminalizar a pobreza significa que o que temos de mais valoravel 
é o nosso poder financeiro.
É novamente deslocar para os menos favorecidos a frustração que sentimos em não conseguirmos sequer viver em sociedade.
Ao invés de assumirmos o nosso péssimo carater e nossa dificuldade em exercitar a fraternidade, apontamos os favelados como os inimigos da sociedade.

Essa atitude é, acima de tudo, o ápice de uma doença pestilenta chamada de   EGOCENTRISMO.
O mundo gira ao meu redor e o resto que se dane. Eu estando bem, tudo está bem, e ponto final.

Mas, do pö viemos e ao pö voltaremos.. E tendo consciência disso, cada um que aja da forma que melhor lhe convier, ciente de que pagará o preço no final sem direito a barganha.

Aliás,  por falar em egocentrismo, taí um livro que muito me impactou. 
"Ego,  o vírus, egocentrismo, a doença."  Não lembro o autor, no momento. Mas, falarei dele no próximo post.. Esse livro é simplesmente maravilhosoooo..
Até... ;)

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Post 5 - Dinheiro imortal


Vivemos num mundo basicamente capitalista, onde o dinheiro se faz de fato necessário. Achar que daria para viver sem ele, me parece uma fantasia, pois aonde a sociedade chegou, no que se refere às relações sociais, não cabe mais retorno.
Mas, por que o dinheiro ou os bens que ele proporciona são tão imprescindíveis para tantas pessoas?
Parece muito incoerente o comportamento de muitas pessoas. Normalmente, ao perderem um ente querido, pontuam que "nós não valemos nada", "que da vida não se leva nada" e coisas do tipo. Filosofia de velório, eu diria.
Mas, ao retornarem às suas vidinhas, ainda que cientes de que ao pó voltarão, ao invés de se preocuparem mais com o ser do que com o ter, continuam insistindo no círculo vicioso da aquisição material desenfreada.
Mas, se ser rico e poderoso é a chave da felicidade, por que pessoas extremamente bem-sucedidas e ricas volta e meia apresentam quadros de depressão profunda, dependência de drogas ou até mesmo  situações de suicídio? Isso sem mencionar seus ambientes familiares hostis e violentos.
Ora, esses casos são a prova incontestável de que o dinheiro tem sua importância, mas o seu excesso não preenche as lacunas vazias do interior de um ser humano.
Meu pai sempre dizia: "Dinheiro é bom enquanto a gente manda nele". Mais uma sábia colocação dele.
Ter sua vida conduzida por ele não me parece realmente uma receita de sucesso.
Cabe bem aqui o conceito psicanalítico do deslocamento.
Por ser muito difícil identificarmos  ou encararmos a fonte real dos nossos vazios, damos uma de espertinhos e pegamos alguns atalhos,  elegendo situações externas como causadoras destas sensações desconfortáveis e deslocando para elas toda a nossa ansiedade. Uma delas é a situação financeira.
Várias hipóteses podem ser consideradas.
Ou o sujeito viveu uma vida de extrema pobreza na infância, passando por variadas dificuldades e humilhações e, por isso, tornou-se sedento de poder por vingança e recompensa.
Ou o sujeito já era rico, acostumado com um altíssimo padrão de vida, e deve continuar a saga de sua família na manutenção do status, pois se perdê-lo, perde junto a sua identidade. 
Ou é simplesmente um ser irracional mesmo, daquele bem fútil, que sequer enxerga o seu próximo dentro da própria família e acha que a vida boa, plena e feliz só pode existir quando se é muito rico e poderoso. Afinal, beleza, sexualidade, aventuras são muito mais presentes nos ambientes ricos do que nos pobres. Nisso todos concordamos.
Mas, são efêmeros e superficiais.  Diferente da vida harmoniosa, em paz e baseada em relações concretas de afeto.
Qualquer pessoa que imagine que o ser humano é mais do que o exterior, fica sem entender que importância é essa que tantos dão a riqueza, e em nome dela, cometem tantas injustiças e deslealdades.
Desta forma, considerando que buscar soluções ou compensações no dinheiro para as angustias nada mais é do que tapar o sol com a peneira, devo dizer que o que acho mais pernicioso neste comportamento está invisível, mas não inexistente: A total ausência de preparo dessas pessoas para a morte, e consequentemente, a ignorância total do significado da vida.
Quais serão os sentimentos de alguém que se julgava tão poderoso e absoluto diante da doença e da morte?
Todos sabemos que estas  duas situações são completamente democráticas, atingem ricos e pobres, e inevitáveis, pois todos iremos morrer.
Eu imagino que no momento final, estas pessoas que passaram a vida evitando olhar para dentro delas, e se recusaram a enxergar de verdade quem eram, terão um final de vida muito triste, senão desesperador.
Tudo pelo que lutou ficará para trás, ansiosamente esperado pelos herdeiros abutres. O poder adquirido não foi capaz de livrá-lo do fim, tendo ele o mesmo destino que as pessoas as quais ele julgava inferiores.
A morte não tem preço e não apresentará uma fatura de desconto ou negociação. Não há como compra-la, como comprou tudo e todos ao longo de sua vida.
De certo, ao seu lado, em seu leito, não terá pessoas amorosas, pois suas relações foram construídas em outras bases. Não havia tempo para sentimentos puros e verdadeiros. Só negócios e poder.
E, enfim, o tempo para reflexão e reconstrução de uma nova direção já lhe foi dado DURANTE a sua vida inteira, e desperdiçado. Acabou.
Como costumo dizer, mais uma encarnação desperdiçada.
Mais uma disputa pela imortalidade fadada a derrota.
Até.. ;)


domingo, 13 de julho de 2014

Post 4 - A águia e a galinha


Na busca pelo sentido da vida, me apaixonei por alguns livros e autores.
O primeiro que citaria é  "A águia e a galinha: uma metáfora da condição humana" , de Leonardo Boff.
Este belo livro descreve a nossa natureza dupla, com sentimentos antagônicos em nosso íntimo, os quais devemos identificar e integrar para que coexistam em harmonia.
Somos águias, e, por isso,  somos seres predestinados a alçar voos infinitos. Ao crescermos, nos deparamos com um número incontável de possibilidades para as nossas vidas.
Mas, não nos é dado o direito de desfrutar "ad eternum" de todas estas infinitas possibilidades. E isso, obviamente, se justifica por várias razões psicológicas, físicas, afetivas e materiais.

Em função dessas limitações naturais, já que vivemos em sociedade, e nossos atos invariavelmente atingem terceiros, devemos saber a hora de  reduzir algumas das nossas expectativas, e ao invés de pretender grandes vôos como águias, aceitarmos a nossa condição  de galinha, nos limitando a um pequeno terreiro, onde possamos viver em segurança, sem grandes aventuras.  

Harmonizar características tão contrastantes e identificar a hora em que um ou outro modo de vida deve ser abandonado é que é a parte difícil. 

O que quero dizer é que há a hora da águia e a hora da galinha. Ninguém suporta viver cem por cento do tempo sendo um ou outro. Ao contrário, a sabedoria está em sabermos quando ser um ou outro.
Eu acredito que todos nós saibamos quando algo precisa ser mudado. Há uma sensação de mal estar crônico que vai e volta. Podemos até não conseguir nomear corretamente este incômodo,  mas ele está ali, latejando em nosso peito, em forma da já conhecida "angústia humana". 

Casamentos infelizes, empregos insatisfatórios, estilo de vida insuportável....
Por que as pessoas os tem, e pior, os preserva por anos a fio, quem sabe pela vida toda, chegando ao fim com aquela sensação de arrependimento de suas escolhas?

O Espiritismo provavelmente justifica essa insistência no sofrimento com base no conceito do carma. Respeito isso. Faz sentido, mas penso que há limites.

A Psicanálise se fundamenta no inconsciente e no prazer causado pelas situações desprazerosas. Acredito profundamente nisto. Há pessoas que só sabem viver como vítimas, se lamentando de tudo e de todos. Qual o papel lhes restaria se elas conseguissem se livrar do opressor? Ficariam totalmente sem identidade. A única saída seria um bom trabalho terapêutico, ao qual todos sabemos que muitos não aceitam fazer.

Mas, penso também que as pessoas só deixam suas vidas passarem em brancas nuvens ou em tremendas tempestades porque não são conscientes do seu fim.

A incapacidade em enfrentar a mortalidade as faz robôs autômatos de conceitos pré-estabelecidos de uma sociedade doente, onde tudo é mais importante do que uma vida feliz e serena.... E nessa linha, deslocamos nossa angústia do fim para comportamentos recorrentemente nocivos à nós mesmos.
Continuamos outro dia... :)

terça-feira, 24 de junho de 2014

Post 3 - Morrer bem ou mal? Viver bem ou mal?


Retornando à 1985, quando vivenciei a experiência da morte da minha mãe, posso afirmar que a minha vida virou de ponta a cabeça.
A partir dali, tendo a morte como parâmetro, me comportei de variadas formas. Ás vezes, ficava deprimidíssima, do tipo "já que vou morrer mesmo, fico aqui parada, deitada, pois nada na vida faz sentido". Outrora, me comportava de forma eufórica e imediatista, na linha "se vou morrer, então tenho que aproveitar de tudo e já". E, aí, como já podem imaginar, eu metia os pés pelas mãos.
Com certeza nem uma nem outra era de fato uma boa opção. Além de indicar uma quase bipolaridade...rs, a angústia não se dissipava. Eu precisava encontrar o caminho do meio. Mas, aonde ele estava?

Curiosamente, meu pai, que nunca teve muita importância em nossa infância, pois o papel que lhe cabia era apenas o de reprimir e corrigir, se revelou um grande amigo, dotado de uma sabedoria ímpar, após a morte da minha mãe
Durante 08 anos nós (eu, ele e minha irmã) vivenciamos de uma forma bem solitária, pelo fato de sermos uma família pequena, dezenas de internações em clinicas cardíacas e, apesar das circunstâncias, guardo as melhores lembranças daquela época.
Não pela doença ou morte do meu pai (essa parte obviamente foi exaustiva física e psicologicamente), mas pelo que pude ver e aprender com aquele homem sereno, prático e destemido diante da possibilidade de morrer.

Por ter sido um homem muito simples, com poucas aspirações materiais, já que ele mesmo afirmava que um homem para ser feliz precisava apenas de uma casa para morar, um fogão para cozinhar, uma mesa para comer e uma cama para dormir, a iminência da morte não lhe trazia maiores angústias. 

Não havia bens para administrar, herança para dividir ou preocupações em deixar isto ou aquilo pelo que tanto lutou. Estava prestes a deixar o mundo como veio...  livre, leve e solto.
Por ter sido um homem bom e de caráter, não trazia arrependimentos ou sensação de que algo faltou fazer ou dizer. Como um bom libanês sempre foi muito amoroso com a família.

Certo dia, na UTI, disse-me claramente que estava cansado dessa vida. Que há 80 anos era o mesmo blá blá blá de problemas na educação, na saúde, corrupção e etc.... E que o problema era só um: O ser humano.
E, complementou dizendo que já podia partir, pois tinha dado instrução e orientação suficientes para mim e minha irmã, e, que a partir dali teríamos que seguir sozinhas.
Nem pude chorar ou pedir que lutasse...
Minha resposta foi de total concordância.."Vai na fé e obrigada". 

Então, vejam: duas experiências de morte com as duas pessoas mais importantes da minha vida, meu pai e minha mãe, e dois comportamentos e efeitos tão antagônicos.
Uma morria de medo da morte, era excessivamente preocupada com tudo, e de fato morreu jovem aos 50 anos, nos deixando completamente desnorteadas.
O outro ria na cara da morte, era apegado a mínimas coisas, e morreu aos quase 80, com uma serenidade espantosa.

Aquela resignação me impactou, e timidamente comecei a alinhar o meu caminho. 
Busquei ajuda terapêutica e comecei a ler vários livros sobre filosofia, psicologia, religião e auto-ajuda, por que não?
Em paralelo, pensava que finalmente eu teria um descanso para curtir um pouco mais a vida com meu filho mais velho, já que dos 16 aos 32 anos sempre estive envolvida em perdas, doenças e medo da morte. Era chegada a hora da diversão!!!!

Mas, a vida nos surpreende, e nem sempre de forma positiva.
Descobri um câncer de mama aos 35 anos, que foi o divisor de águas que faltava. 
A princípio, experimentei emoções enlouquecedoras, mas, ao final, adoecer tão jovem foi a porta de entrada para o meu almejado caminho do meio e, que eu ousaria dizer, um caminho sem volta.
Ali, diante daquela temida doença era pegar ou largar. 
Não dava mais para rever meus valores e redefinir minhas prioridades daquela forma tímida e suave como eu vinha fazendo. Era chegada a hora de partir para o tudo ou nada, e assim eu fiz.
Posso afirmar que os últimos 10 anos foram os mais felizes da minha vida! Quando falo isso, refiro-me à Danielle, ao meu interior, à minha paz de espírito e melhor compreensão do sentido da vida.
Claro que antes disso tive momentos extremamente felizes, mas eram momentos externos a mim.
Nos últimos anos, eu fui e sou diariamente feliz, mesmo que esteja mais desanimada por vezes. E sou feliz não porque não tenha problemas, mas porque aprendi que a felicidade verdadeira é baseada em conceitos muito diferentes daqueles equívocos que a nossa sociedade doente nos ensina.

Até...;)

domingo, 22 de junho de 2014

Post 2 - Pra tudo há um motivo


Olá! !
Gostaria de, antes de mais nada, falar que este blog não é sobre a minha vida, nem sobre o quanto sou especial.
Durante meus tratamentos de câncer de mama (pra quem não sabe, tive dois), era muito comum ouvir como eu era guerreira, especial e forte. Apreciava os elogios, pois acreditava que eram cheios de boas intenções, mas não me via desse jeito. Não concordo com esse conceito.
Ter um cancer não nos torna guerreiros, até porque se houvesse a mínima possibilidade de não entrar nessa batalha, com certeza nem eu nem ninguém entraria. Guerreiro gosta de lutas e, eu tenho certeza que, nos casos de cancer, todos os pacientes seriam desertores convictos. Mas, diferente das guerras, a doença não nos dä essa possibilidade. Então,  as opções se reduzem a lutar... ou lutar.
Também não me sinto especial.
A propósito,  esse conceito sobre ser especial é um dos mais infelizes equívocos nocivos à nossa sanidade psiquica.  Achar que somos especiais num mundo de bilhões de habitantes é, pra mim, no mínimo,  uma quase esquizofrenia..rs.
Então, por estes e outros motivos, eu não poderia destinar um blog à minha pessoa. Eu sou sö uma alma em busca de respostas e de sentido para essa vida tão contraditória. 
E esta alma irrequieta e curiosa deseja um debate, um compartilhar de idéias sobre possiveis condutas que nos façam viver de modo mais leve e feliz. 
Mas, para que eu possa entrar nesse mérito, serä imprescindível que eu fale das causas que me conduziram às conclusões que vou postar.
Nada surge do zero. Tudo tem uma causa, e para explicar as minhas terei que falar dos meus ultimos 46 anos. 
Mas, prometo tentar ser sintética...rs.. E me focar nos eventos que me atiçaram para os questionamentos, até porque 46 anos não são 46 dias...
Até.... ;)

Post 1 - Por que morte?

Ops, lá vem a Dany falar de morte....Que mulher mörbida....Pra que pensar nisso? O importante é viver feliz!!

Ok....ok...Cada um tem sua opinião.
Mas, como podemos ser felizes de fato se não administrarmos e aceitarmos a nossa mortalidade?
O que vou falar aqui não é resultado de nenhum estudo científico ou religioso. As conclusões que cheguei sobre o comportamento humano em relação a morte nasceram de uma observação contínua ao longo desse meu quase meio século de vida.
Um resultado empírico,  onde com certeza eu poderia elencar dezenas de casos tipicos e recorrentes de pessoas que ignoram sua mortalidade, fazendo de suas vidas um constante "empurrar com a barriga", como se a elas fosse dada a benesse da eternidade para mudar aquilo que não gostam ou as deixam infelizes. 
Confesso que tenho muita dificuldade em compreender pessoas assim. 
Mas, por outro lado, reconheço que hä muitas razões para que esse comportamento estático e acomodado seja mais comum do que deveria. Falaremos dessas razões ao longo das próximas postagens.
Mas, voltando ao tema morte...
Passei toda a minha vida tentando conciliar essa consciência da morte com uma vida qualitativamente melhor. Para aqueles que bem me conhecem, sempre me dispus a debater este tema, no afã de clarear e solidificar  meus conceitos, mas também para incentivar meus amigos a buscarem a paz e a felicidade com mais atitude.
Concordo que num mundo veloz e interessante como o nosso, com tantas atribulações que carregamos, parar para refletir sobre a morte e sobre o que é importante de fato na vida soa meio melancólico ou depressivo.
Afinal, temos que ter sucesso, ganhar dinheiro, adquirir bens, conhecer pessoas e lugares, que o tempo para pensar não tem lugar em nossas vidas maravilhosamente dinâmicas. Ainda mais em tempos de facebook, onde somos todos bem sucedidos, felizes e realizados, postando uma sucessão de fotos que demonstram a nossa "wonderful life" estilo "Caras". Nös com nossos eleitos ou eleitas, acompanhados de nosso clã em momentos paradisíacos. (linguajar de Caras).
Esse momento para pensar na vida e na morte fica então reservado para 3 situações,  onde já não há muito o que fazer com as conclusões alcançadas. 
Elas são a velhice, a doença ou  a morte iminente. 
Não raro, escutamos os idosos dizerem que fariam tudo diferente se pudessem voltar no tempo. Aos doentes cabem as lamentações por uma vida desperdiçada, e que agora não hä mais tempo para mudä-la. E àqueles que estão com as horas contadas, nem sei dizer o que lhes cabe. O tempo é curtíssimo e implacável. Acho que eu lhes diria: -Vai do jeito que pode e reze para existir reencarnação, pois essa será sua única chance de viver uma vida feliz enfim.
Eu me considero no lucro, pois ainda não estou idosa...rs..
Quando fiquei doente, já estava enredada no tema e apenas aproveitei o momento para aprofundar minhas observações,  e nem estou na iminência de morrer. Aliäs, quando este dia chegar, nada de arrependimentos em meus pensamentos. Terei apenas a certeza de que vivi feliz e em paz, porque estas foram minhas prioridades. 
Meus questionamentos surgiram na adolescência, por ocasião da morte da minha mãe.  Muito mais do que perder o meu porto seguro, aquela situação inusitada me despertou dúvidas sobre o verdadeiro sentido da vida e do conceito de felicidade.
Quando você cresce num ambiente onde não se conversa sobre a morte porque pode "atraí-la", ou se associa este evento a "castigo divino", ou, ainda, onde os pais, quando questionados se vão morrer (receio natural de todas as crianças), respondem que sempre nos protegerão e que não DEVEMOS PENSAR NISSO, o resultado é cataströfico quando a morte se apresenta.
Não foi diferente comigo. 
Morreu? Como assim? Ela não merecia ser castigada. Era uma boa pessoa. 
Não "podia" morrer (essa eu acho a melhor), pois tinha duas filhas para criar. Tinha tantas preocupações e de que serviram? 
Ahhhh, foi o cigarro ou foi o stress ou o descuido com a saúde...Ou ainda, erro médico!  Isso, com certeza, o médico errou!

Desta forma ignorante, no sentido de desconhecimento total do tema, os parentes sobreviventes ficam alucinados em busca de uma justificativa para a partida prematura daquele que tanto amavam. Perdem-se em inúmeras hipóteses infrutíferas. 
Esquecem-se apenas de aceitar o que sempre se recusaram a ver.
Que o fim é certo, mas indeterminado. Quem está vivo, morre!
"Quem beijou, beijou, tô fechando o caixão", diz o dito popular.
A curiosidade pelo tema  que teve aquele ponto de partida,  hä quase 30 anos, em 1985, impôs um caminho que não desejei começar a trilhar tão cedo, mas que jamais me permitiu  voltar.
Mas, hoje sou grata a tudo pelo que passei.
Ao longo dos próximos posts, espero que os leitores alcancem a beleza que a compreensão verdadeira da morte pode trazer às nossas vidas. Que percebam que, o que num primeiro momento se apresenta como dor, pode significar salvação.  TUDO DEPENDE DO PONTO DE VISTA. 
 ;)